Após ter sido expulso da Malásia, o projeto Network School, da iniciativa libertária Network State, migrou para o Casaquistão. O anúncio foi feito pelo CEO da Network State, Balaji em uma publicação em sua conta no X.
A princípio, Balaji havia declarado que o problema com o governo malaio seria referente apenas a uma irregularidade sobre os prédios instalados no país. No entanto, acabou se mostrando apenas um pretexto para o governo interromper as atividades da Network School, cuja filosofia libertária se mostra uma ameaça ao governo.
Após a expulsão da Malásia, a Network School Migrou para o Casaquistão, onde um memorando de entendimento foi assinado entre o governo cazaque e o projeto. Segundo Balaji, a expectativa é a de que o novo campus se torne um refúgio para o tecno-otimismo global, com vistos acelerados, redomiciliação simplificada e recrutamento ativo de talentos.
Como explicado no site oficial da Network School, o projeto consiste em “uma comunidade de vanguarda para tecno-otimistas. Seus membros incluem “trabalhadores remotos, nômades digitais, criadores online, personal trainers, adeptos do autoaperfeiçoamento, organizadores de eventos e engenheiros de todos os tipos”. O projeto é aberto a candidatos que quiserem se desenvolver enquanto constroem “uma sociedade de startup que dá impulso a outras sociedades de startup”.
O Network School é uma iniciativa da Network State, um projeto que propõe a ideia de Estado-rede, onde indivíduos podem formar um estado por meio de conexões virtuais, utilizando ferramentas como blockchains, sem estar limitado a um território específico. A ideia é permitir que pessoas ajam em torno de objetivos em comum como um estado, sem estarem limitadas a um mesmo território.
Como o próprio site da Network State explica:
Um “network state” (estado-rede) é uma comunidade online altamente alinhada com capacidade de ação coletiva que financia coletivamente (vaquinha) territórios ao redor do mundo e, com o tempo, obtém reconhecimento diplomático de estados pré-existentes.

O problema com o Network State
Como eu já havia abordado neste artigo, o problema do Network State é que, apesar de sua boa intenção, ele peca por ignorar no que de fato consiste um estado. Um estado não é simplesmente uma comunidade de pessoas com objetivos em comum. É um monopólio territorial da força e da lei com monopólio da tributação (roubo).
Tentar reduzir o estado a uma comunidade formada por pessoas com objetivos em comum, excluindo a agressão institucionalizada inerente da equação, é uma negação da natureza do estado, além de ser um desserviço à causa libertária.
Apesar de eu ver com bons olhos uma iniciativa de comunidade voluntária de pessoas com objetivos em comum, a aparente intenção da Network State de ser a única comunidade de tal tipo me parece algo preocupante. Seria muito pouco provável que em uma sociedade libertária haveria uma única organização voluntária centralizada. O mais provável é que existam diversas associações atraindo indivíduos com objetivos diferentes para cada uma delas.
Ao mesmo tempo, solicitar autorização para um estado para operar em um determinado país não me parece um caminho que deva ser seguido. Limitar-se ao que os estados permitem limita a capacidade de mudança social para mais liberdade de fato. E é isso o que os estados querem.






