Este é um guia básico para iniciantes em criptomoedas. A ideia aqui é que, ao final do texto, o leitor aprenda o básico de uma forma simples, rápida e prática.

Como estamos tratando de dinheiro, gostaria de deixar claro que não estou dando conselhos de investimento, apenas mostrando o básico para um público iniciante no assunto. O ideal é que o indivíduo aprenda e entenda antes de investir, tendo responsabilidade e assumindo os riscos de suas decisões.

Isso posto, vamos começar.

As Criptomoedas

O que são criptomoedas? Criptomoedas (ou cryptocurrency) é um recurso digital utilizado como meio para realizar transações financeiras. É dinheiro em formato de código. Isso parece um pouco assustador num primeiro momento, mas ao contrário do que muitos pensam, não é necessário saber programação ou ser um gênio de teoria monetária para comprar e utilizar as moedas (apesar de ajudar bastante).

Se você sabe inglês e tem paciência, é muito recomendável que leia os whitepapers das moedas que você tem interesse. Basicamente, os whitepapers são documentos que mostram a tecnologia e a estrutura de cada moeda. Em primeiro lugar, saber que a moeda tem de fato um whitepaper é muito importante pra não comprar qualquer porcaria, embora a gigantesca maioria dos iniciantes vá direto para o Bitcoin (whitepaper do Bitcoin).

O objetivo é ter uma ideia geral, não se atenha aos detalhes e esquemas como esse.

A Carteira Digital (Wallet)

Basicamente, a carteira digital é onde você irá armazenar suas criptomoedas para receber e enviar. Essas carteiras podem estar compiladas num mesmo aplicativo, como é o caso da Trust Wallet, que possui carteiras para Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Tron (TRX) e algumas outras. Outras criptos têm carteiras exclusivas, como é o caso da Nano (NANO), que possui uma carteira oficial, criada pelos próprios desenvolvedores da moeda, a Nano Wallet.

Essa é a interface principal da TrustWallet

É muito comum que as corretoras (exchanges, que veremos mais a frente) tenham suas carteiras embutidas na própria plataforma, o que facilita a vida de quem constantemente movimenta e precisa desse tipo de funcionalidade rápida, os chamados traders (“trocadores” em tradução livre).

Seed e Adress

Dentro da carteira, temos dois códigos extremamente importantes. O primeiro deles é a seed (“semente”), que é a chave de acesso da sua carteira. É fundamental que você tenha essa seed guardada num lugar bem seguro. Pessoalmente, minha recomendação é que você a escreva exclusivamente num papel e guarde, evitando que esse valiosíssimo dado pare em mãos indesejadas.

Já o adress (“endereço”) você vai querer espalhar por todo canto. É com ele que as pessoas poderão te enviar unidades da moeda e reconhecer quando você as enviar. Lembre-se, o adress não permite que outros tenham acesso à sua carteira. Pode aparecer também na forma de QR code, o que ajuda a fazer pagamentos presenciais.

Na interface da Trust Wallet tem o preço, o valor atual da moeda, a valorização num período de tempo e o adress para as transações

Você pode ter quantas carteiras quiser e organizá-las da forma que desejar.

Como obter as criptomoedas

Com sua seed bem segura e o seu adress em mãos, você já poderá obter as devidas moedas as quais sua carteira comporta. Existem algumas formas de obter unidades, sendo a mais comum por exchanges (corretoras), casas de câmbio que trocam moedas estatais (reais, dólares, euros) por criptomoedas (Bitcoin, Nano, Ethereum). Como exemplos brasileiros de corretoras, temos a NegocieCoins, BitCâmbio, FoxBit e BitcoinTrade. Cabe a você, leitor interessado em obter criptos, que busque a exchange que melhor satisfaça suas necessidades, levando em conta as políticas adotadas pelas empresas, suas taxas, segurança, leque de criptos disponíveis, etc.

O segundo método mais usado são transações P2P (peer-2-peer, de pessoa para pessoa). A vantagem de comprar diretamente de uma pessoa é escapar das burocracias estabelecidas pelo governo e de possíveis investigações injustificadas, sob as quais as exchanges estão submetidas. Mas tenha cuidado, caro leitor. Busque vendedores confiáveis, com boas reputações, com páginas em redes sociais para prevenir eventualidades. Existem alguns sites que colocam em contato compradores e vendedores, o que pode facilitar muito esse processo.

Usando o Bitcoin para comprar Alts

Assim como podemos usar reais para comprar dólares, podemos usar bitcoins para comprar outras moedas menos conhecidas, alternativas, as chamadas “alts“. É a opção mais abrangente para quem quer adquirir moedas menos valorizadas, mas com tecnologias inovadoras que podem ter preços muito mais altos no futuro.

Podemos usar bitcoins para comprar Shitcoins, que são, literalmente, “moedas de merda”. Muitas vezes elas são criadas por pura zoeira, mas algumas têm características legais e chamam a tenção no marketing, como a Dogecoin.

Dogecoin 🙂

Preços, trocas e gráficos

Assim como em uma casa de câmbio, as criptomoedas podem ser intercambiáveis, gerando algumas discrepâncias em preços. O Bitcoin vale hoje, enquanto escrevo, exatamente 5.007,84 dólares, o que dá 19.343,08 reais. Ou seja, para ter o total de 1 BTC em sua carteira, seriam necessários 19 mil reais, aproximadamente. Por isso geralmente vemos transações em decimais, 0,01 BTC por exemplo é equivalente a R$ 194,22.

Muitos perguntam: “Tá, mas porque é tão caro?”. É caro porque as pessoas veem valor, seja como reserva ou como um bom meio de troca. Ela é descentralizada, tem inflação minúscula, está totalmente fora do controle de estados e pode ser enviada para qualquer lugar ao pagar uma taxa; é assegurada pela tecnologia do blockchain, sobre a qual você pode ler mais aqui.

A Nano, minha moeda favorita, é uma evolução tecnológica do Bitcoin. Ela possibilita transações gigantescas gratuita e instantaneamente (diferente do Bitcoin, que demora para autenticar as transações e tem taxas razoavelmente elevadas). Não há nenhuma inflação, ou seja, não é uma moeda minerável como o Bitcoin e tem uma equipe de desenvolvedores ativos que busca expandir o potencial da moeda, mesmo não tendo controle sobre o sistema, as moedas e as carteiras dos usuários.

É importante, nesse primeiro instante, detectar momentos de alta e de baixa, para não comprar em alta e acabar perdendo dinheiro. A ideia é sempre comprar em baixa e vender em alta para lucrar, mas é necessário ter perspectiva e discernimento para compreender os cenários. Para isso, confira as recomendações no fim deste guia.

A análise gráfica, por sua vez, permite que traders façam especulações a respeito do futuro preço das moedas. Eles usam técnicas matemáticas, fazem desenhos, aproximações, colocam alvos de preço (“targets“) e buscam padrões. Existem lives na Twitch onde traders fazem essas análises e abordam esse assunto mais profundamente, o que você pode conferir aqui.

Olha que maneiro!

Se, assim como eu, você não tem tempo para ver esse tipo de conteúdo, no próprio Twitter temos ferramentas semelhantes às hashtags “#” feitas para acompanhar análises e comentários. Basta digitar na busca o símbolo “$” + “abreviação do nome da moeda” (ex: $BTC).
O “esquema” é deixar o filtro nos melhores “top”, para evitar a abundância de tweets feitos por robôs.

Só selecionar essa opção para se livrar dos bots!

Agora você já sabe todo o essencial! Obrigado por ler até aqui. Em vez de encher o texto de referências, resolvi fazer uma lista com recomendações para se aprofundar no assunto. Confira:

Recomendações

1- Nosso queridíssimo cripto analista da Gazeta Libertária, João Gabriel. Também no Twitter;
2-Fernando Ulrich, autor de Bitcoin: A Moeda na Era Digital (também em audiobook) e produtor de conteúdo em seu canal no Youtube;
3- Avelino Morganti, libertário dono do canal Criptologia;
4- Canal Aprendizado Cripto;
5- A origem do Dinheiro – Carl Menger (audiobook) para uma boa base de teoria monetária.