Discute-se sobre o fato de quase todos os libertários serem homens e as razões pelas quais levam à ausência de mulheres no movimento libertário. Engana-se quem pensa que um dos motivos é porque os libertários agem de modo grosseiro para com as mulheres; pensar que refutar argumentos falaciosos de utilitaristas e humanitaristas é um ato grosseiro é um equívoco; isso precisa ser feito a todo momento – de forma respeitosa, é claro, pois ao usar-se ad hominem compete que o libertário se torna um falacioso do mesmo modo. A ausência de mulheres libertárias, ao meu ver, está muito mais associada a fatores exógenos do próprio movimento libertário. O problema central são os discursos coletivistas tradicionais – direita – e revolucionários – esquerda. Considera-se os conceitos de esquerda e direita de modo genérico, tal como eles são superficialmente definidos hodiernamente.

Penso que o empecilho que existe entre as mulheres de direita e o libertarianismo é justamente a questão do conservadorismo, é o entendimento errôneo de que em uma sociedade libertária a imoralidade ou amoralidade reinaria, permitindo atos revolucionários, prática de aborto, e uso excessivo de drogas – independente do fato de que cada propriedade privada possuiria regras, e que o não cumprimento destas resultaria em uma punição. Considero que não é de difícil compreensão, ademais, reconhecer que predomina-se uma onda de empoderamento reverso. Em tempos precedentes, o rótulo “empoderada” se limitava ao lado esquerdo político; com a ampliação da mídia conservadora, mulheres de direita “empoderadas”, exibindo suas armas e aclamando “feminista jamais!”. É incrível como um movimento coletivista tem o poder de tornar uma moral uma regra, fixando pessoas em um determinado espaço e apontando um dedo estatista para a cara dos indivíduos e afirmando: “você não pode defender sua moral de forma independente; junte-se a nós! positive-a!”.

Além disso, conjecturo que o distanciamento das mulheres de direita do libertarianismo se dá pelo fato de que estas parecem viver em uma bolha ainda mais fechada do que as mulheres de esquerda; pasmem! Observa-se que o espanto de uma mulher de esquerda ao ver uma publicação que diz: “educação e saúde são serviços, não direitos” é imensamente maior do que uma mulher de direita ao ver essa mesma publicação. A esquerda repleta do seu espírito revolucionário é incapaz de enxergar um ponto fora da curva, de modo a querer, coercitivamente, fazer todos a pensarem tal como lhe é proposto e censurar, a todo instante, opiniões contrárias. A direita parece não se importar de forma tão alarmante. Nesse sentido, é provável que as mulheres de esquerda conhecem mais das ideias libertárias que as mulheres de direita; as esquerdistas, ao menos, tentam rebater os argumentos libertários gerando, de alguma forma, propagação dos ideais; as direitistas, nem isso.

Embora haja essa divergência entre ambos os lados, identifico outro motivo para tal distanciamento e reverberação do estado pela parte das mulheres. Percebo que o apreço pela alta preferência temporal leva à falsa garantia de serviços essenciais fornecidas pelo estado de forma exclusiva. Abstraem, contudo, o fato de que serviços essenciais privados podem estar disponíveis da mesma forma e, talvez, de maneira mais acessível e eficaz, uma vez que o livre mercado tende a aumentar a competição, gerando uma baixa nos preços e competitividade na qualidade dos serviços. De modo geral, as mulheres – lamentavelmente – tendem a defender fortemente a delegacia da mulher, a punição pela parte do estado quando a pensão alimentícia não é cedida, entre outras medidas imediatas para a defesa da mulher contra problemas frequentes. Colocam o estado como entidade suprema e única a defender tais direitos – que por vezes nem são direitos per si -, partindo do pressuposto que caso ocorra a sua extinção, as mulheres seriam constantemente violadas sem ninguém para lutar contra tais infrações.

De qualquer forma, ainda existem mais mulheres de esquerda do que de direita; e a justificativa para isso é semelhante àquela dada ao porque tem-se poucas esquerdistas no movimento libertário. O discurso esquerdista é confortante para as mulheres; repleto de falácias do tipo ad misericordiam. O Modus operandi revolucionário segue uma ótima metodologia: utiliza de discursos apelativos baseados em um acontecimento que boa parte das mulheres já vivenciaram p.ex. assédio e, juntamente a isso, utilizam de estatísticas que facilmente podem ter sido alteradas. Nesse segmento, envolvem no discurso termos bonitinhos como “sororidade”, “políticas públicas” e “direitos da mulher” para mascarar a narrativa como sendo algo demasiadamente fundamentado; e, a pensar nisso, ratifica-se que a constituição segue a mesma metodologia: formalidade acentuada para ocultar a coerção exacerbada. Apenas esses discursos já são suficientes para distanciar a mulher da direita, que dirá do libertarianismo.

Particularmente, avalio o argumento de que “mulher não interessa-se por política” e, por conta disso, tem-se poucas mulheres no libertarianismo como mediano. Mulheres estão se interessando por política cada vez mais, haja vista o acirrado número de feministas e as reacionárias direitistas; quase pode-se afirmar que ambas mulheres do espectro estatista competem para ver quem é mais “politizada”. Por outro lado, como supramencionado, o discurso de ambos os lados é inspirador: o discurso revolucionário encanta mulheres fragilizadas, enquanto o discurso reacionário atrai mulheres descontentes com a incoerência que encontraram no discurso esquerdista; ou seja, um e outro priorizam as mulheres, deixando-as em uma posição de atenção, privilégio, estabilidade; aumentando a bolha, e diminuindo a possibilidade de sair desta. O homem, por sua vez, dentre ambos os discursos encontra-se em uma posição neutra; ele está mais instável e suscetível a sair de um movimento coletivista que não enaltece seu ego. Nessa continuidade, ao deparar-se com uma inconsistência nessas narrativas desumanas, estes são mais passíveis a buscar a informação que lhe é correta.

De nada adianta, conquanto, forçar narrativas de modo a confundir a ética com a moral para agradar as direitistas, ou tentar criar uma espécie de feminismo libertário para relevar as relações com feministas, uma vez que o diferencial do libertarianismo é exatamente a incessante consistência que os outros modelos de organização social carecem. Ao invés de inventar discursos absurdos, sugiro falar das coisas tal como elas são; se necessário, apela-se para o utilitarismo apenas para servir como corolário, mas sobressai-se o argumento da ética da propriedade privada. É essencial para divulgação dos ideais libertários no que tange especificamente ao público feminino dividir o argumento em dois eixos: como o estado intensifica o problema da violação da integridade da mulher; e como o livre mercado amenizaria o problema da violação da integridade da mulher  i.e. saúde física, emocional e psicológica da mulher.

Para o primeiro eixo, ressalta-se acerca de como direito da mulher é violado nos seguintes casos: impedimento da defesa de propriedade e autopropriedade através da criminalização/dificultação do posse ou porte de armas. Faz-se pertinente, ainda, discorrer sobre como o ensino obrigatório afasta o filho da mãe, sendo esta uma das pessoas que mais conhece suas dificuldades e suas habilidades; compete, assim, que a criança não tem sua individualidade respeitada, de modo que é colocada em igualdade, em uma realidade que sabe-se que os seres humanos são desiguais. Ademais, conhece-se inúmeros casos de crianças sofrendo por bullying e até estupros nas escolas públicas; o que o estado faz é submeter indivíduos indefesos a esses riscos não consensuais. Ainda, quando há ocorrências de abusos sexuais, a justiça brasileira dificulta o processo de execução do caso, extraindo tempo e recursos financeiros em virtude de um sistema de resolução de conflitos totalmente burocrático.

Para o segundo eixo, posso destacar as ruas ou bairros privados, onde indivíduos podem ser impedidos de adentrar em uma rua específica caso o proprietário desta não aprove. Nesse sentido, pode-se barrar a entrada de abusadores, ou até mesmo o porte de armas, caso o proprietário concorde que estas são perigosas e não devem fazer parte daquela comunidade. A privatização das estradas ainda levaria a um fator interessante: ex-detentos, hoje, tem “direito” a cotas para contratação em empresas. É de consenso geral que não é seguro ter-se ex-detentos pelas redondezas das moradias; no livre mercado, pois, poderia-se impedir a fixação destes indivíduos na vizinhança local. Tribunais privados também possibilitariam processos menos caros e mais eficazes; qualquer tribunal que defendesse um indivíduo evidentemente criminoso sofreria ou um processo por um tribunal terceiro, ou um boicote social significativo; diferente do que analisa-se hoje, uma vez que o monopólio da justiça já é autoexplicativo. A falar da educação, tem-se o homeschooling; uma vez que o processo de desenvolvimento da criança é a sua educação, sendo esta específica invalidando a generalização que o ensino formal impõe, educação domiciliar é uma alternativa bacana para adequar a criança às suas particularidades como forma de facilitar a aprendizagem.


Revisado por: Paulo Droopy (@PauloDroopy)