Ao olhar para um novo dinheiro ou sistema de pagamentos destinado a substituir um sistema antigo, basta olhar para quem não está na lista de parceiros para entender o que está sendo substituído. No caso da Associação Libra, liderada pelo Facebook, o elo perdido do nosso atual mundo financeiro é evidente: não há bancos!

Existem redes de pagamento em abundância, incluindo Visa, MasterCard e PayPal, três das maiores redes do mundo. Essas empresas podem ajudar a rotear transações e apoiar a aceitação de comerciantes e P2P, por exemplo transferência de última milha (last mile) para carteiras e comerciantes pessoais. A lista completa de apoiadores e parceiros do Facebook no projeto da criptomoeda você confere clicando aqui.

Existem processadores de pagamento online, como o Stripe e o PayU, que ajudam a garantir a aceitação do comerciante online.

Têm empresas nativas de criptomoedas, como Coinbase, Xapo, Anchorage e Bison Trails.

Têm empresas de telecomunicações incluem Iliad e Vodafone.

Têm grandes comerciantes, incluindo eBay, Booking.com, Mercado Livre e Farfetch.

Mas não há bancos.

Parceiros do Facebook e da Libra Association

JPMorgan, Bank of America, Wells Fargo, Citi e outros estão ausentes. Cada um recebe bilhões em taxas anualmente, emitindo cartões de crédito, atuando como processadores/adquirentes de comerciantes e fornecendo outros serviços de pagamento comercial e de varejo em um complexo sistema de pagamentos. Esse negócio pode muito bem estar em disputa em um mundo de pagamentos comerciantes globais e P2P sem fricção, com taxas extremamente mais baixas.

Além disso, os bancos são fortemente regulamentados nos EUA e em outros países. Uma lista parcial dos reguladores que o JPMorgan responde é de deixar qualquer um confuso. Como resultado, os bancos estão compreensivelmente hesitantes em se interessar por criptomoedas já estabelecidas. Eles certamente não estão preparados para serem membros fundadores de um projeto de “stablecoin” a ser lançado em 2020, com muitos detalhes ainda a serem trabalhados.

Agora, alguns bancos, como o JPMorgan, estão buscando iniciativas de “criptomoeda”, como a JPM Coin, enquanto bancos especializados, como o Silvergate, fornecem serviços bancários para empresas relacionadas a criptomoeda.

No entanto, o Facebook e a Associação Libra estão propondo algo extremamente poderoso: uma moeda não estatal apoiada por uma cesta de ativos. Eles estão propondo algo que desafiaria os bancos centrais de governos menores caso amplamente adotado.

Certamente, o Facebook e a Associação Libra estão trabalhando duro nos bastidores para apaziguar os reguladores nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros lugares. Na verdade, eles contrataram recentemente um lobista sênior no Reino Unido para esse fim.

Mas os fatos permanecem: esses governos e bancos centrais estão profundamente interligados com os maiores bancos de quase todos os países do mundo, de uma perspectiva regulatória e de dependência. Quem pode esquecer o Emergency Economic Stabilization Act (Plano de resgate econômico) de 2008, também conhecida como “o resgate bancário de 2008”, nos EUA?

De fato, o Ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, já “pediu ao Grupo dos Sete Governadores dos Bancos Centrais, guardiões do sistema monetário global, que prepare um relatório sobre o projeto do Facebook para sua reunião de julho”. A matéria completa do Bloomberg sobre o ocorrido pode ser conferida clicando aqui.

Segundo o The Block Clypto, esse sozinho já é o motivo para que não seja uma grande surpresa que nenhum grande banco faça parte da parceria com o Facebook e a Libra Association.

Fonte: The Block Crypto