Para tentar salvar sua popularidade, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está preparando uma medida provisória para destravar o saldo do FGTS de quem fez uso do saque-aniversário, modalidade criada durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e não utilizou o valor como garantia de empréstimos. A ideia surge em meio à queda da popularidade do presidente petista e uma crise econômica à vista.

Com essa medida, o governo Lula pretende mudar as atuais regras, onde todo trabalhador registrado em carteira pode sacar parte do FGTS no mês do seu aniversário; no entanto, o saldo remanescente fica travado por dois anos e não pode ser sacado antes desse período, nem mesmo na hipótese de demissão sem justa causa. Nesses casos, o trabalhador mantém apenas o direito à multa rescisória de 40% do total.

O governo Lula espera que com essa medida possa injetar dinheiro novo para circular na economia sem provocar impacto fiscal, já que o FGTS teria recursos suficientes. No entanto, ao invés de resolver o atual problema da inflação da crise econômica, tal ação só irá adiar a recessão e levar a uma piora mais adiante.

Com tal medida, Lula apenas fará com que o dinheiro impresso até agora e que estava guardado nos bancos seja jogado em uma economia que já sofre com dinheiro em excesso circulando enquanto há pouca poupança e escassez de produtos, o que leva a um Efeito Cantillon.

Para aqueles que ainda não sabem o que é o Efeito Cantillon, tal fenômeno consiste no resultado de uma expansão da oferta monetária sem lastro em poupança e sem um aumento correspondente de riqueza. Sob tal situação, os primeiros recebedores do novo dinheiro têm a vantagem de comprar os produtos existentes com os preços ainda inalterados.

Os últimos recebedores por sua vez tem que enfrentar uma oferta menor dos produtos, já que grande parte foi comprada pelos primeiros recebedores, e agora a preços mais altos, já que os primeiros recebedores sinalizaram um aumento da demanda por tais produtos no mercado, o que manifesta a real situação do mercado: muito dinheiro para poucos produtos.

Com tal medida, Lula quer iludir o público, fazendo-o pensar que a liberação do FGTS irá melhorar a situação da economia, quando apenas dará um alívio temporário aos que receberem tal valor, enquanto os demais enfrentarão preços ainda mais altos mais adiante.

Isso não anula o fato de que tais trabalhadores possuem de fato direito a tal dinheiro, já que é um dinheiro pago pelos seus empregadores que o estado até então impedia de ter acesso. Entretanto, tal medida seria muito melhor se o governo Lula cortasse drasticamente os impostos e os gastos da máquina pública.

Com tal medida, as empresas teriam maiores condições de produzir mais, aumentando a oferta de produtos no mercado e equilibrando a situação. Mas Lula, sendo Lula, é pouco provável (diria impossível) que ele tome tal medida.

Em resumo: o problema não é a liberação do FGTS em si, mas o fato dele ser liberado apenas após a economia estar inundada de uma moeda que a cada dia perde seu valor enquanto há uma oferta cada vez menor de produtos; e para piorar, um governo que mantém impostos e gastos altos, o que reduz a produtividade das empresas, já que o imposto é um gasto que não acrescenta em nada em sua produtividade e rendimentos.


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