A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, como toda isenção de imposto, é algo que com certeza deve ser comemorado e bem-vindo. Mas não nos enganemos, tal isenção não sairá barata e Lula fará com que outros 140 mil que ganham até R$ 50 mil por mês compensem isso.
Antiga promessa de campanha
A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi uma das principais promessas de campanha presidencial de Lula durante as eleições de 2022. Tal jogada visava garantir votos e apoio de um público além dos eleitores mais pobres que sempre foram o público-alvo tradicional do PT.
Lula foi esperto em entender que, se ele quisesse garantir nas eleições de 2022 e na próxima, ele precisaria ganhar votos para além do seu público tradicional, e abandonar a velha retórica contra a classe média parecia ser o caminho para isso. Essa promessa pode não ter sido o único fator que garantiu a vitória de Lula nas eleições de 2022, mas com certeza foi um deles. E, com a aprovação de tal isenção, ele aumenta suas chances de vitória para as eleições de 2026.
Fomentando a luta de classes
Além disso, tal medida faz parte de uma mudança de estratégia de Lula, onde ele abandona sua velha abordagem de colocar somente os pobres como vítimas e incluir também a classe média, deixando os “super ricos” como os únicos vilões de fato. Com isso, será possível justificar a taxação sobre os mais ricos como forma de compensarem seus “privilégios”.
Sim, porque a esquerda não faz nenhuma distinção entre enriquecimento ilícito (crime ou ajuda do estado) e enriquecimento lícito. O simples fato de você ganhar uma renda acima de um limite arbitrário já é o suficiente para te tornar alguém no mínimo suspeito.
E, além das teorias socialistas furadas sobre “exploração” capitalista (todas refutadas), a esquerda também se ampara na falácia dos bens públicos, que afirma que certos serviços indispensáveis só podem ser fornecidos pelo estado (algo também já refutado); logo, como os ricos possuem maior renda, eles deveriam “contribuir” proporcionalmente mais.
Com essa narrativa, a esquerda consegue fazer qualquer rico que evita pagar imposto parecer um mesquinho que não quer fazer sua parte para a sociedade em que vive. Ao mesmo tempo, aqueles que recebem até R$ 5 mil por mês podem defender sua isenção com consciência limpa (e estão corretos quanto a isso) enquanto defendem aumento de taxação para aqueles que ganham até R$ 50 mil por mês.
Além disso, com base nas falácias que já foram apresentadas aqui, a esquerda sempre lembra ao restante da população que, caso os ricos não paguem mais impostos, os pobres e a classe média terão de arcar com impostos maiores para compensar. É claro que a esquerda sempre irá apelar para a falácia dos bens públicos e alegar que é impossível reduzir enormemente os impostos para todos, mas a verdade é que ela não pretende fazer isso; não faz parte do seu projeto de poder.
Afinal, a esquerda precisa do máximo de dinheiro possível para aumentar seu poder sobre os cidadãos (inclusive usando assistencialismo para aliciar os mais pobres) e tributar os mais ricos é indispensável para se conseguir isso.
Não caiam na armadilha
Muitas pessoas indignadas (corretamente) contra tal medida acabam sendo levadas à ideia equivocada de que é necessário tributar a todos para evitar que os mais ricos injustamente paguem mais impostos. Essas mesmas pessoas acabam caindo no mesmo raciocínio equivocado do grupo anterior, só que invertendo a situação.
Há aqueles que, assim como os esquerdistas, acreditam na falácia dos bens públicos e na necessidade dos impostos. No entanto, há outros que entendem que isso é infundado, mas seu motivo para defender a tributação para todos é a expectativa de que o estado sempre existirá e que impostos sempre serão cobrados e que o máximo que se poderia fazer seria tributar a todos igualmente para evitar que alguns sejam mais tributados que outros.
Por mais que essa última posição seja compreensível, ela ainda implica em uma sujeição ao status quo estatal, perdurando a injustiça da tributação. Por mais que pareça haver pouca esperança para a causa da liberdade contra a tirania estatal, não podemos entregar a vitória tão fácil. Qualquer mudança real só será possível se houver uma luta de fato contra a opressão estatal, pois ele não largará seu domínio de bom grado.
E essa luta não será jogando nas regras que sempre fazem o estado ganhar, como na ilusão da via política. Não há outro caminho mais coerente e mais efetivo do que aquele que Samuel Edward Konkin III nos mostrou: o da contraeconomia. Somente por meio do mercado negro e do mercado cinza, ignorando as regulações e restrições estatais, não declarando impostos, utilizando de preferência criptomoedas focadas em privacidade, como a Monero, é que é possível escapar da espoliação estatal.

E sim, não é um caminho fácil. Mas o mais efetivo e mais consistente. É o caminho que precisamos trilhar para fazer a liberdade prevalecer sobre a tirania.

O conteúdo deste artigo está livre de restrições de direitos autorais e de direitos conexos. Sinta-se livre para copiar, modificar, distribuir e executar o trabalho, mesmo para fins comerciais, tudo sem pedir permissão.





