O Reino Unido está elaborando um novo plano governamental para a transição para o estado de guerra. A declaração foi feita na sexta-feira, durante a Conferência de Defesa de Londres, pelo chefe do Estado-Maior da Defesa do país, o marechal da Força Aérea Sir Richard Nighton. Segundo ele, o documento abrangerá todas as instituições-chave — desde o exército e a polícia até empresas industriais.
Naiton informou que o novo plano está sendo elaborado com base no chamado “Livro Militar do Estado” — um documento secreto elaborado ainda nos anos da Primeira Guerra Mundial e atualizado regularmente ao longo de toda a Guerra Fria. Na época, ele tornou o Reino Unido um dos países mais bem preparados para um conflito no mundo. A conhecida cópia de 1976 continha instruções detalhadas sobre a mobilização do exército e da população civil, o fechamento de escolas, a desobstrução de hospitais, o racionamento de alimentos e a preservação dos bens culturais nacionais. Após o fim da Guerra Fria, o sistema foi extinto.
Agora, segundo Naiton, trata-se de revitalizar esse sistema “no contexto atual, com a sociedade e a infraestrutura modernas”. O trabalho sobre o documento está a cargo do Conselho de Ministros, com a participação de todos os órgãos governamentais. O chefe militar destacou especialmente a necessidade de aumentar a resiliência das infraestruturas de importância crítica — centrais elétricas, abastecimento de água e redes de transporte — não apenas contra desastres naturais, mas também contra ameaças de natureza militar. Além disso, ele pediu que a população seja informada sobre os riscos crescentes e que se explique aos cidadãos como eles podem apoiar o país e as forças armadas em caso de crise.

Na mesma conferência, Naiton abordou o tema da “frota paralela” russa. Segundo ele, a ameaça britânica de interceptar os petroleiros sujeitos a sanções já está surtindo efeito — a Rússia foi obrigada a designar escoltas para esses navios ou a redirecioná-los para contornar as águas britânicas, embora ainda não tenham sido realizadas inspeções reais. “Não tenham dúvidas: estamos prontos”, declarou o comandante militar.
Os planos ambiciosos são ofuscados por problemas não resolvidos. O governo de Keir Starmer prometeu elevar os gastos com defesa para 3,5% do PIB, mas somente até 2035. O plano decenal de investimentos em defesa, que deveria ter sido divulgado ainda no outono do ano passado, ainda não foi publicado — a indústria de defesa britânica encontra-se em um estado de incerteza, à espera de financiamento efetivo.
Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo






