Como divulgado em vários portais de notícias do país, o presidente Lula (PT) indicou a presidente do PT, Gleisi Hoffman, para ser a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), no lugar de Alexandre Padilha, que agora irá para o Ministério da Saúde. Lula aposta que com Gleisi poderá ser mais bem-sucedido em suas negociações com o Congresso, mas o mais provável é que ele afunde seu governo ainda mais.
Com a nomeação de Gleisi Hoffmann como ministra da SRI, Lula põe fim à longa disputa entre o PT e o Centrão pela posse do cargo responsável pela articulação entre o presidente e o Congresso. Com tal decisão, Lula conseguiu agradar à base do seu governo, mas isso não irá garantir que seu governo se saia bem nas negociações com o Centrão e a direita.
É verdade que o Centrão agora pode não ter todo o poder de barganha que o cargo de ministro do SRI poderia dar, mas continua possuindo vantagem junto da direita nas negociações com o governo Lula. E dado o histórico de Gleisi Hoffmann de ter rejeitado a maioria dos termos de negociação propostos pelo Centrão ao governo petista (negociações essas que garantiram avanços de pautas do governo até aqui) é seguro dizer que ao invés da relação de Lula com o Congresso melhorar, só irá, na verdade, piorar.
Gleisi parece viver em um mundo fantasioso onde acha que o governo do PT tem poder suficiente para estabelecer as regras do jogo sem precisar se sujeitar aos caprichos do Centrão para avançar suas propostas. Pelo visto, ela deve ter ficado enfurnada na câmara de eco de discussões internas do PT, ignorando toda a realidade política de uma vez.
Só me pergunto se o presidente Lula, a essa altura do campeonato, com sua popularidade amargando em queda, pretende com uma decisão suicida como essa. Ou Lula ficou gagá de vez, ou já está cansando e quer dar um jeito do impeachment vir logo.

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