Por decisão do Parlamento grego nesta quinta-feira (16), trabalhadores poderão trabalhar até 13 horas. A esquerda política se manifestou histericamente, acusando a medida de “retorno à Idade Média”. A decisão, que permitirá ao trabalhador trabalhar mais horas, é uma tentativa de reverter a queda dos salários e desaceleração econômica causadas pelas políticas econômicas desastrosas desta mesma esquerda no país.

A medida

Segundo o Parlamento grego, a medida visa permitir aos trabalhadores aumentarem seu salário trabalhando voluntariamente acima da jornada de trabalho legal de oito horas. Segundo a ministra do Trabalho, Niki Kerameus, “há funcionários que pedem para trabalhar mais horas”.

Spyros Bairaktaris, dono de uma taverna que emprega quase 250 pessoas, concorda com a ministra: segundo ele, muitos dos seus funcionários após cumprirem suas horas em seu restaurante, iam trabalhar horas extras em um açougue ou peixaria para trabalhar duas ou três horas a mais e ganhar mais. Para ele, a nova lei é muito favorável aos trabalhadores, pois permite que eles aumentem a sua renda com o mesmo empregador.

Reação histérica da esquerda

Como era de se esperar, a esquerda reagiu histericamente à decisão, acusando a medida de ser um “retorno à Idade das Trevas”. Um dos principais partidos da oposição, o Syriza (esquerda), recusou-se a participar da votação, denunciando o projeto como uma “monstruosidade legislativa, uma desregulamentação do trabalho que ataca (…) os direitos fundamentais” dos trabalhadores, segundo Christos Giannoulis, porta-voz do grupo parlamentar. O líder do partido, Sokratis Famellos, criticou: “o governo está estabelecendo uma verdadeira Idade Média do trabalho”.

Um outro esquerdista, o profissional de educação Apostolis Steropoulos, reclamou da medida, afirmando que a vida é mais do que trabalho:

“Hoje em dia, que ser humano razoável – a menos que seja produto de inteligência artificial – gostaria de trabalhar 13 horas por dia? Em 1886, houve greves em Chicago para obter a jornada de 8 horas. E dois séculos depois, estamos regredindo”, afirma Steropoulos.

Após o Congresso ter votado majoritariamente a favor da nova lei, houveram duas ocasiões em que a Grécia foi parcialmente paralisada por uma greve geral em protesto contra essa reforma.

Situação econômica do país

A mesma esquerda que critica a medida que permite que trabalhadores da Grécia trabalhem até 13 horas foi a mesma responsável por criar as circunstâncias que obrigam muitos trabalhadores a trabalharem essa quantidade de horas para sobreviver. Apesar do país ter aparentemente se recuperdo da crise financeira, os trabalhadores continuam impactados por baixos salários, o que obriga muitos uma jornada de trabalho de 13 horas que já existe, mas apenas se o funcionário tiver dois ou mais empregadores.

E foram justamente os enormes gastos públicos e a enorme dívida pública impulsionados pelas políticas de esquerda que causaram a crise que destruiu o poder de compra dos trabalhadores do país, os obrigando a trabalhar mais de 8 horas. E agora esta mesma esquerda hipocritamente reclama da necessidade dos trabalhadores gregos trabalharem até 13 horas enquanto ela mesma causou tal situação.



Uma solução melhor

Remover as restrições legais que impedem os trabalhadores de trabalharem mais horas para compensar a perda do seu poder de compra é uma boa iniciativa. Mas remover as condições que causam tal necessidade seria ainda melhor.

A Grécia possui uma das maiores cargas tributárias da Europa, o que dificulta o surgimento e manutenção de empresas que poderiam gerar mais emprego, bem como impacta também na renda dos trabañhadores gregos. O país também possui uma das maiores burocracias para se abrir uma empresa, o que limita sua oferta e consequentente a oferta de mais empregos para os trabalhadores.

E não podemos nos esquecer da legislação trabalhista da Grécia, que é uma das mais rígidas da Europa. Só isso já aumenta os custos de contratação e surgimento de mais empresas, o que reduz as oportunidades para os trabalhadores do país.

E por mais que abolir tais restrições seja o caminho ideal para trazer mais oportunidades para os trabalhadores gregos, sabemos que políticos, tanto da direita quanto principalmente da esquerda, não tomarão tais medidas drásticas e os trabalhadores gregos terão que se contentar com medidas paliativas, como a possibilidade de trabalhar mais horas do que a esquerda permite. A mesma esquerda que criou as condições que obrigam os trabalhadores a trabalharem a carga horária que ela mesma condena.


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