Neste domingo (26) ocorreu a reunião entre o presidente dos EUA Donald Trump e o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva na Malásia, onde ambos abordaram questões como o tarifaço, Lei Magnitsky e anistia. Apoiadores de Lula vendem a imagem de que Lula deu um show de diplomacia enquanto bolsonaristas focaram apenas nas menções de Trump a Bolsonaro, ignorando completamente todo o resto, incluindo elogios do presidente dos EUA a Lula.
É óbvio que essa postura por parte de Trump foi puro teatro político. Trump pode ter entendido que buscar uma aproximação política com mais um líder latino-americano seria melhor do que ampliar seu número de inimigos. Há séculos, a América Latina é quintal dos EUA e é do interesse de Trump e do establishment americano que continue assim.
E não importa que ele tenha que dizer que admira a carreira política de Lula e afirmar que ele foi “perseguido”. Contanto que com isso ele consiga uma boa relação com o petista e as vantagens que disto advêm para ele, estará ótimo.
E como não podia ser diferente, os petistas se apressaram em atribuir o aparente sucesso do diálogo às habilidades diplomáticas de Lula. Somente um fanático político seria cego o suficiente para não perceber que a conversa entre Lula e Trump só fluiu bem porque Trump quis que assim fosse.
O próprio Trump queria uma resolução onde ambos pudessem chegar a um acordo que fosse interessante para ambas as partes (no caso eles, e não seus governados, claro).
Trump ainda não revogou o tarifaço nem a aplicação da Lei Magnitsky. Mas, a depender do quanto Lula esteja disposto a ceder, talvez Trump faça tais concessões. E claro, é provável que a Anistia esteja na mesa de negociações, o que não significa que Trump se importe de fato com os presos do dia 8 de janeiro de 2023 ou mesmo com Bolsonaro. Bolsonaro é um aliado político, então é importante que ele esteja na ativa para preservar a influência do governo Trump sobre o Brasil.
Ao mesmo tempo, é pouco provável que Lula ceda quanto à questão da Anistia, já que é do interesse de Lula e do PT manter a narrativa de que o Brasil estava sob ameaça de um golpe de estado e que o governo Lula o salvou. Lula não irá abrir mão deste trunfo tão facilmente. Seria muito mais fácil para ele concordar em negociar ajustes tarifários entre ambos os países, o que ao mesmo tempo comprometeria a arrecadação para o seu governo.
E não podemos nos esquecer da repercussão da conversa entre Lula e Trump entre os bolsonaristas, que ignoraram todo o restante da conversa, focando nos dois únicos momentos em que Trump comentou sobre Bolsonaro, sendo um deles comentando sobre o que considerou como uma injusta perseguição política ao ex-presidente, e quando questionado por jornalistas sobre se falariam sobre Bolsonaro e ele dizendo que não era da conta deles.
Em todas as redes sociais, principalmente no X, bolsonaristas resumiram toda a conversa de 1 hora a essas duas menções. Sequer houve o trabalho de se fazer uma análise séria desta conversa. Simplesmente se contentaram em fazer lacração nas redes sociais usando as duas únicas menções a Bolsonaro como frases de efeito.
O bolsonarismo de fato sempre foi apenas mais um movimento de idolatria a político, nada diferente do petismo. Mas é impressionante como regrediram tanto em inteligência, se tornando uma caricatura deplorável do que já foram.

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