As leis que restringem o acesso de civis a armas  na Austrália permitiram que um terrorista e seu filho matassem 15 pessoas, além de 40 pessoas estão hospitalizadas, incluindo quatro crianças, na praia de Bondi, em Sydney, até que um homem corajoso pusesse fim ao atentado. Cada um dos parlamentares que votou sim por mais restrições de armas tem o sangue destes civis inocentes em suas mãos.

Se a população não tivesse tantas restrições para ter acesso a armas, ambos os terroristas teriam sido abatidos por qualquer um dos fiéis assim que abrissem fogo contra os cidadãos que estavam apenas celebrando um ritual religioso e pacífico. Se não fosse a intervenção do herói Ahmed al Ahmed, o número de mortos teria sido muito maior. E um dos terroristas só foi morto pela polícia (que estava praticamente impotente durante o atentado) graças a Ahmed, que deu tempo para eles agirem.

Leis duras contra o acesso a armas de fogo

Desde o Massacre de Port Arthur, realizado pelo atirador Martin Bryant em 1996, onde mais de 35 pessoas foram mortas e 18 ficaram feridas, os estados australianos decidiram endurecer ainda mais as leis de restrições de acesso a armas de fogo, tornando a posse e o porte da maioria das armas automáticas e semiautomáticas praticamente proibidos no país.

A ideia, segundo os defensores de tal medida, é que eventos como este teriam mais chances de serem evitados no país. E é óbvio que não tardaram matérias com viés desarmamentista tentando relacionar a relativa queda de mortes por arma de fogo no país ao aumento do controle de armas. O mesmo tipo de falácia que já foi usado aqui no Brasil em defesa do Estatuto do Desarmamento, apesar das falhas visíveis de tais falácias, como mostrado aqui.

Apesar da narrativa de que o endurecimento das leis de armas de fogo foi responsável pelo declínio de mortes por armas de fogo, estatísticas sobre mortes de armas de fogo levantadas pelo próprio governo australiano mostram que já havia uma tendência de queda desde 1991, 5 anos antes do atentado de 1996.

Apesar das duras restrições de acesso a armas de fogo e da redução no número de mortes por armas de fogo, nada disso impediu que um evento aparentemente imprevisível como o atentado em Bondi tivesse acontecido. As leis sobre armas de fogo apenas impediram que muitos dos cidadãos que foram vitimados pelos terroristas tivessem armas de fogo para alvejar ou dissuadir os terroristas, impedindo o trágico desfecho com 15 pessoas mortas e 40 hospitalizadas.

Endurecimento das leis de armas de fogo

De forma nada surpreendente, os políticos desarmamentistas australianos resolveram usar o atentado como justificativa para endurecer ainda mais as leis de acesso a armas de fogo no país. Mesmo que as leis já duras sobre acesso a armas de fogo não tenham impedido o atentado, os desarmamentistas argumentarão que um endurecimento maior destas leis irá impedir que tais episódios se repitam e que o atentado só ocorreu porque as leis “não eram duras o suficiente”.

Alguns desarmamentistas irão apontar para o aumento da compra de armas de fogo em 25% na Austrália, apesar do endurecimento das leis de acesso a armas de fogo. No entanto, esquecem de dizer que tal aumento aconteceu dentro dos limites destas novas leis, que passaram a limitar a posse e porte de armas de fogo a atividades como caça e esportes, mas nunca em casos de legítima defesa.

Mais do mesmo

O mais provável é que desarmamentistas consigam o que querem e usem do terror e falácias em torno do atentado para endurecer ainda mais as leis de armas de fogo, mesmo que isso não impeça novos atentados como este. E caso outro atentado ocorra, é só endurecer ainda mais as leis sobre armas de fogo, como fizeram após os atentados de 1996 e desta semana, até que a população australiana fique completamente desarmada e impotente diante dos criminosos.

E sempre que for mostrado que o estado australiano é incapaz de garantir segurança à população, é só culpar o acesso a armas de fogo enquanto desvia a atenção pública de sua incapacidade de proteger a população.


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