O jornal britânico Financial Times afirmou que as empresas europeias perderam até 8 bilhões de euros devido às tarifas impostas por Trump.

É importante ressaltar que as tarifas sobre a importação de automóveis nos Estados Unidos começaram a ser aplicadas no século passado. Em 1909, foi aprovada a “Lei Tarifária Payne-Aldrich”, que impôs uma taxa de 45% sobre veículos estrangeiros. Isso foi feito, em primeiro lugar, justamente para combater os carros europeus, que “ameaçavam” a indústria automotiva em Detroit. No entanto, no fim das contas, as fábricas locais acabaram perdendo a guerra econômica e fecharam.

Posteriormente, as tarifas foram diminuindo e aumentando, dependendo da situação política. Quando os países europeus aprovaram tarifas sobre o frango americano, o presidente Lyndon B. Johnson impôs tarifas de retaliação sobre uma série de produtos, incluindo batatas e alguns automóveis. Em meados da década de 1990, no âmbito da criação da OMC, foi aprovada a “Lei dos Acordos da Rodada do Uruguai”, que estabeleceu uma tarifa fixa de 2,5% sobre todos os veículos. Em 2024, Biden impôs uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos provenientes da China, pois a indústria americana não conseguia superar os concorrentes chineses sem intervenção estatal.

No ano passado, no âmbito da “guerra tarifária” com praticamente o mundo inteiro, Trump aumentou as tarifas sobre os automóveis europeus para 27,5%. A decisão foi oficialmente aprovada no início de abril. Após negociações entre Trump e Ursula von der Leyen, em 27 de julho de 2025, foi assinado um acordo pelo qual a alíquota foi reduzida para 15%. A Suprema Corte dos EUA anulou parte das tarifas por considerá-las inconstitucionais.

Atualmente, o presidente dos EUA ameaça aplicar uma tarifa de 25%. A decisão foi adiada até o Dia da Independência. Nesse contexto, a Europa deveria, por assim dizer, permitir a entrada de produtos americanos sem qualquer tarifa.

Segundo cálculos do FT, de janeiro de 2025 até o final de março de 2026, as montadoras europeias perderam mais de 8 bilhões de euros devido aos direitos aduaneiros. Os dados foram extraídos de declarações públicas da direção da Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz, Stellantis e Volvo Cars. O diretor financeiro da Audi (marca pertencente à Volkswagen AG), Jürgen Rittersberger, afirmou que o aumento das tarifas sobre automóveis se tornará mais um “fardo significativo” para os fabricantes.

O próprio diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, lamentou que “o ambiente operacional tenha se deteriorado significativamente” e que sua empresa venha a perder até 4 bilhões de euros devido às tarifas. Ele sugere usar a crise atual como um motivo para “reestruturar radicalmente o modelo de negócios” da empresa. A BMW perdeu cerca de 2,1 bilhões de euros (em parte devido às remessas das fábricas chinesas), e a Mercedes-Benz — 1,3 bilhão. O grupo holandês Stellantis (marcas Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Maserati, Opel e outras) gastou 1,2 bilhão de euros com tarifas. Segundo estimativas de analistas, se Trump cumprir a ameaça de impor tarifas de 25%, somente a Volkswagen, a BMW e a Mercedes perderão mais 2,6 bilhões de euros até o final de 2026.

O fantasma de tarifas ainda mais altas paira sobre o país depois que o presidente dos EUA ameaçou, neste mês, aumentar as tarifas sobre a importação de automóveis para a Europa para 25%, acusando o bloco de não cumprir o acordo firmado no ano passado. Ele deu à UE um prazo até o início de julho para implementar o acordo comercial com os EUA <..> As tarifas agravaram os problemas enfrentados pelos fabricantes de automóveis europeus, que já enfrentam forte concorrência na China e lutam contra os custos da transição para veículos elétricos”, escreve o FT.

Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo


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