Um tribunal militar na região de Murmansk condenou o administrador de 23 anos do canal do Telegram “Свободная Лапландия” (Lapônia Livre) a 15 anos de prisão, informou a organização OVD-Info com base em seus próprios dados.
O caso começou com a perseguição ao “Форум свободных государств ПостРоссии” (Fórum de Estados Livres da Pós-Rússia) — um fórum de ativistas pouco conhecidos que ficaram famosos por um mapa colorido da Federação Russa fragmentada e por apelos para destruir a Rússia como país. A organização realiza eventos uma vez por ano em diferentes partes do mundo. Entre os palestrantes estão ucranianos, poloneses, japoneses, ativistas pró-Dudaev, lituanos, letões, estonianos, britânicos, suecos e até um representante da “Kuban Independente” chamado Evgeny Bursanidis, além do ativista pró-Ucrânia Ilya Ponomarev e vários outros “descolonizadores” que emigraram da Federação Russa.
No ano retrasado, a promotoria declarou o fórum como uma organização terrorista por meio da Suprema Corte. Conforme anunciado pelas forças de segurança, os ativistas buscavam a divisão da Rússia em Estados separados (o que é verdade) e a submissão à influência de “países hostis”. Os palestrantes foram declarados líderes de “movimentos nacional-separatistas escondidos no exterior”. De acordo com os investigadores, usando dinheiro de patrocinadores ocidentais, o fórum “promove de forma servil ideias de derrubada do poder em nosso país, a realização de ataques terroristas e sabotagens, e a participação em ações de combate ao lado da Ucrânia”.
As circunstâncias do processo judicial revelaram-se notáveis: nele foi mencionado não apenas o “Форум свободных государств ПостРоссии” (Fórum de Estados Livres da Pós-Rússia), mas também outras 172 denominações variadas, as quais foram declaradas como “subdivisões estruturais” da organização polonesa. Jornalistas afirmam que muitos dos nomes foram retirados de movimentos separatistas que realmente existem, porém outros não são encontrados em lugar nenhum. Presume-se que a Procuradoria-Geral os tenha inventado para, posteriormente, acusar determinados ativistas de participação em organização terrorista simplesmente por suas opiniões. Alguns deles, incluindo “República Popular de Belgorod” (BNR) e “República Popular de Kursk” (KNR), eram, na verdade, memes de usuários pró-Ucrânia no Twitter.
Na lista também foi incluída a “Свободная Лапландия” (Lapônia Livre). Um canal com esse nome era administrado pelo morador de Murmansk, Rafael Mamedov, de 22 anos. A página era dedicada à região de Murmansk. Conforme afirmado na mídia, eram publicados ali memes, fotos e fatos da história e da mitologia da região, bem como “postagens com críticas às autoridades russas e reflexões sobre a necessidade de preservar a identidade cultural dos povos das regiões do noroeste da Rússia, sua aliança e a aliança com os países do Norte da Europa”. O ativista também escrevia artigos sobre o tema da descolonização. No processo são mencionados “Aristocracia Laranja. Sobre a Elite Pós-Russa”, “Estratégia de Descolonização” e “Conflitos Regionais”.
A existência do processo criminal contra o jovem tornou-se conhecida no final do ano passado, embora ele tenha sido preso ainda na primavera. Inicialmente, ele era acusado apenas de “participação em organização terrorista” (artigo 205.5, parte 2, do Código Penal da Federação Russa). Mais tarde, também “forjaram” contra ele um episódio de traição à pátria (artigo 275 do Código Penal); pelo que se sabe, o motivo para isso foram as mesmíssimas publicações, que “causaram danos à Federação Russa”. No centro de detenção provisória (SIZO), o homem tentou o suicídio duas vezes.
O caso foi julgado pelo Tribunal Militar da Frota do Norte em Severomorsk, na região de Murmansk. O juiz Vladimir Chernyshov condenou o jovem a 15 anos de privação de liberdade. Ele passará os primeiros 3 anos na prisão e o tempo restante em uma colônia penal de regime fechado.
Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo
Opinião: Óbvio que, de forma conveniente, as autoridades estatais russas acusam o movimento de ser apenas um plano de países estrangeiros hostis à Rússia para enfraquecê-la via separatismo. Pode até ser isso. De todo modo, o separatismo como forma de evitar o centralismo estatal permanece como um movimento legítimo e o único erro das regiões separadas seria o de se submeterem a isso após o desmembramento da Federação Russa.






