Antes da exibição de filmes, tanto em plataformas privadas quanto públicas, passou-se a alertar sobre cenas cortadas. O jornal “Kommersant” e a agência de notícias TASS chamaram a atenção para isso.
Vários sites de streaming começaram a exibir avisos informando que parte do filme foi cortada a pedido das autoridades. Antes do filme “Como falar com garotas em festas”, no “Kinopoisk” (“Yandex”), é informado que os editores cortaram, no total, pelo menos dois minutos de duração “de acordo com a legislação vigente da Federação Russa”. O texto indica que foi necessário remover várias cenas de uma só vez. A empresa afirma que os responsáveis pela censura são os detentores dos direitos autorais, que eles próprios fazem as alterações e enviam o arquivo atualizado do filme para a nuvem. A empresa afirma explicitamente que não faz alterações no conteúdo por conta própria, mas “fornece ao usuário acesso à versão do conteúdo que foi enviada pelo detentor dos direitos ao serviço”. No entanto, não fica claro se a plataforma dá recomendações sobre o que deve ser cortado e se ameaça com a remoção em caso de recusa.
Uma legenda semelhante apareceu antes da exibição do filme francês “As Mulheres na Varanda” (Les Femmes au balcon, 2024) na plataforma Wink, da estatal Rostelecom. Os espectadores são avisados de que, de acordo com as leis de Putin, “algumas partes do filme foram removidas ou ocultadas”, sem especificar a duração das partes cortadas.
Como observam os autores do artigo, devido à censura vigente, “são removidas em massa das séries e dos filmes não apenas as cenas proibidas, mas também aquelas que, formalmente, não se enquadram em nenhuma restrição, o que muitas vezes prejudica o desenrolar da trama”. Um dos participantes do mercado questiona: “Se o espectador não sabe das edições, assistiu ao conteúdo e ficou satisfeito, por que notificá-lo especificamente?”. Ele acredita que, com a notificação, as empresas estão levando os russos a procurar versões sem censura em torrents e sites piratas. Outros especialistas esperam que os russos já tenham perdido o hábito de procurar a versão completa na internet e, por isso, aceitem as restrições governamentais.
As razões específicas para as censuras nas publicações não são reveladas. É importante ressaltar que, nos últimos anos, foram aprovadas na Rússia, sob as mais diversas formas, as mais variadas leis e decretos de censura. Assim, desde recentemente, é proibido às pessoas mostrar e falar sobre drogas sem um “aviso prévio”. Esses “avisos de gatilho” surgiram até mesmo em obras de Gogol, Bulgakov e Pushkin. Também foi aprovado um decreto determinando que filmes que desacreditem os valores espirituais e morais tradicionais russos não receberão certificação para exibição. É importante observar que agora a decisão se estende a qualquer conteúdo em plataformas de streaming, incluindo séries. A Roskomnadzor, órgão subordinado ao Ministério das Tecnologias da Informação, é responsável pela detecção de conteúdo subversivo. As empresas têm 24 horas para remover o arquivo da plataforma.
Além disso, nos últimos anos, tornou-se prática comum cortar as figuras “indesejáveis” dos filmes. Não se sabe quem exatamente está obrigando as produtoras a fazer isso. No ano passado, no filme “O Quebra-gelo”, utilizaram a edição para desfocar uma foto de Alla Pugacheva que estava pendurada na parede como um calendário. Pouco antes disso, a diva concedeu uma entrevista na qual falou sobre a traição por parte do chefe do bloco de política interna do Kremlin, Sergei Kirienko, que prometeu proteger sua família da perseguição política, após o que seu marido, Maxim Galkin, foi declarado “agente estrangeiro” na Rússia.
Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo






