Um alto representante do governo dos EUA disse ao The Wall Street Journal que o círculo próximo a Donald Trump vê com maus olhos os planos da Netflix de comprar a produtora Warner Bros. Autoridades da Casa Branca estão dispostas a pressionar as autoridades antitruste para impedir a conclusão do negócio.
De acordo com a publicação, essa posição estaria relacionada aos interesses da Paramount, que anteriormente tentou negociar uma fusão com a Warner Bros., mas foi recusada. No verão de 2025, a Paramount ficou sob o controle da Skydance Media. Essa empresa é liderada por David Ellison, filho de Larry Ellison, que o WSJ descreve como um aliado próximo de Trump.
O Ministério da Justiça já iniciou uma investigação para verificar se a fusão entre a Netflix e a Warner Bros. reforçará a posição monopolista da gigante do streaming. A Netflix adquire a produtora cinematográfica, bem como o serviço HBO Max e o canal de televisão HBO. De acordo com os cálculos do WSJ, após a fusão, as duas plataformas ocuparão cerca de 30% do mercado americano de streaming de vídeo pago.
O Ministério da Justiça segue a regra: se a participação da empresa resultante da fusão exceder 30%, tal fusão viola a lei. A Netflix discorda e insiste que, ao avaliar o mercado, é necessário levar em consideração plataformas gratuitas como o YouTube.
Um representante da Netflix familiarizado com a situação disse ao WSJ que, mesmo no mercado de serviços pagos, não há evidências de danos à concorrência. Na primeira fase, a HBO Max continuará sendo um produto independente, embora novas ofertas combinadas sejam possíveis no futuro.
Normalmente, a investigação de transações desse tipo leva pelo menos 10 meses até a apresentação da ação judicial. A conclusão da compra da Netflix está prevista para daqui a 12 a 18 meses.
A Netflix se comprometeu a pagar à Warner Bros. US$ 5,8 bilhões em compensação se o negócio for bloqueado pelos reguladores. Isso representa 8% do valor total da operação — significativamente acima dos 1% a 3% padrão. O valor total da compra é de US$ 82,7 bilhões.
A Netflix orgulhosamente destaca que clássicos do cinema mundial, como “Cidadão Kane”, agora estarão ao lado de “projetos culturais marcantes”, como “Stranger Things”, “K-Pop Demon Hunters” e “Squid Game”.
Matéria originalmente publica no SVTV e traduzida por Rodrigo
Opinião: As falácias por trás de tal medida
O estado americano afirma que o impedimento da compra da Warner Bros pela Netflix visa evitar que consolide seu “monopólio” sobre a indústria de streaming. No entanto, se há tal risco, ele mesmo é o culpado de tal situação, já que o aumento de custos via inflação causada pelo estado e mais impostos reduzem os rendimentos das empresas, tornando sua venda algo mais viável em comparação.
Se o estado americano realmente quisesse evitar a concentração do mercado de stream em poucas empresas, ele deveria remover todos os impostos e regulações que estrangulam o setor, bem como “direitos autorais” (isto sim, uma política monopolista). Mas, por motivos óbvios, ele não fará isso.
Além disso, a afirmação de que a Netflix irá aumentar seu “monopólio” sobre o mercado de streaming com a compra da Warner Bros é também totalmente falaciosa. Apesar das intervenções estatais, como já mencionado, impedirem uma maior oferta e diversidade no mercado de streaming, a Netflix está longe de ser um monopólio de fato.
Apesar de a Netflix ser a líder no mercado de streaming pago, tendo cerca de 301,6 milhões de assinantes, outras plataformas não ficam muito atrás, como a Amazon Prime, que possui 205 milhões de assinantes, e a Disney+, que possui 127,8 milhões de assinantes. Mas nenhuma delas se iguala ao YouTube, maior plataforma de streaming gratuito com 2,5 bilhões de usuários cadastrados, sendo suas receitas advindas majoritariamente da visualização de anúncios.
E, como a matéria publicada no Wall Street Journal bem aponta, o verdadeiro motivo por trás do impedimento da compra da Warner Bros. pela Netflix é o favorecimento do governo Trump à Paramount, que deve ter planos para contornar as mesmas que o governo está usando contra a Netflix.

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