Os bloqueios na Rússia foram organizados por funcionários do Segundo Serviço do FSB, aos quais foi atribuída a tarefa de regular a internet — afirma a publicação The Bell, citando suas fontes, inclusive no mercado de telecomunicações.

A Segunda Divisão do FSB (Serviço de Proteção da Ordem Constitucional e Combate ao Terrorismo, SPOCCT) — uma das unidades mais secretas, conhecida como “contra-espionagem política”, é a verdadeira sucessora da 5ª Divisão da KGB da URSS. Formalmente, eles deveriam combater ameaças que prejudiquem o funcionamento normal do Estado. Na verdade, porém, pelo que se sabe, os agentes dessa unidade estão ocupados principalmente com a luta contra a “oposição” russa, incluindo pessoas simplesmente desleais ao Kremlin. A infame Diretoria de Proteção da Ordem Constitucional (UZKS) e o Centro de Missões Especiais (CSN, “Alfa” e “Vympel”) estão subordinados a esse serviço. Foram justamente seus funcionários, conforme apurado pelos investigadores, que participaram de envenenamentos políticos, incluindo a tentativa de assassinato de Alexei Navalny em 2020.


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Segundo fontes do The Bell, o SZKSBT agora supervisiona também a internet na Rússia. Um dos entrevistados afirma que seus funcionários participam das reuniões do ministro do Desenvolvimento Digital, Maksut Shadaev, com representantes do setor de telecomunicações. Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento Digital passou a combater ativamente o uso de VPNs e a contornamento de bloqueios na Rússia. Supõe-se que por trás disso esteja justamente o FSB.

Uma das fontes dos autores do artigo afirma que, há algumas semanas, a pedido do SZKSBT, foram realizadas inspeções em vários grandes serviços de pagamentos russos, com perguntas sobre se “eles realizavam pagamentos de usuários para serviços de VPN”, além de terem “recebido a ordem de interromper imediatamente tais operações”. Além disso, supõe-se que sejam justamente os funcionários da Segunda Serviço os responsáveis pelas restrições às chamadas no WhatsApp e no Telegram, que começaram ainda no ano passado, supostamente a pedido do Ministério da Digitalização.

“O Segundo Serviço nunca participou sequer das discussões sobre iniciativas fundamentais para o setor, seja a ‘Lei Yarovaya’ ou a ‘Runez soberana’, afirma um dos veteranos do setor, que dirigiu empresas de telecomunicações por várias décadas. Essas questões, segundo ele, sempre foram tratadas pelos ‘técnicos’ dentro do FSB.” “São técnicos com mentalidade de seguranças”, descreve um dos entrevistados, “não posso dizer que falem exatamente a mesma língua que o mercado, mas pelo menos estão próximos disso”. “O segundo serviço, segundo ele, lida com política, é responsável pela ‘luta contra a maldade’, e a relação com ele sempre foi ambígua até mesmo dentro do próprio serviço especial”, diz o artigo.

Nas últimas semanas, as autoridades têm combatido ativamente o uso de VPNs. Foi divulgado que os proprietários de canais de comunicação internacionais assinaram uma “moratória” sobre a expansão e a entrada em operação de novos equipamentos, pelos quais todo o tráfego é transmitido para o exterior. Presume-se que isso obrigará as operadoras a combater a contornagem dos bloqueios. Vários serviços, a pedido de Shadaev, proibiram o acesso de cidadãos com VPN às suas plataformas.

Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo


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